[brevíssima de Marina Costin Fuser]

a01

Acredito na potência dos novos feminismos que vêm surgindo no audiovisual. Temos cada vez mais gente pensando e fazendo cinema sob um viés feminista, questionando olhares, abordagens. Mas são feminismos bastante descolados dos movimentos sociais, de lutas travadas por mulheres enraizadas nas tradições de esquerda. Refiro-me a um feminismo fofo, adocicado, que já nasce adaptado ao status quo, e é fortemente vinculado ao mercado. Estou quebrando a cabeça pela minha sucessão de fracassos em alertar que precisamos refletir mais sobre os abismos que atravessam os corpos das mulheres no cinema e na vida. Interssecionalidades, e camadas de poder que se criam através daquilo sobre o que não se fala, aquilo do qual desviamos nossas sensibilidades, aquilo que evitamos entrar em contato. Questionamos a opressão, mas continuamos seguindo o mesmo paradigma de diferenciação. Linhas imaginárias que se cristalizam em cânones, que imobilizam. Rola uma paralisia quando o feminismo é descolado do tripé raça-classe-gênero, quando lutamos pelas grandes estrelas de Hollywood sem questionar o sistema de estrelato. Quando descontextualizamos a atriz de um culto à celebridade, o deslumbramento com o tapete vermelho segue incólume. Mas quem será que varre o tapete?

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s