26092016_mulheres-em-serie

Mulheres em Série propõe uma disrupção na maneira de enxergar a sociedade
Segunda temporada da websérie promete trazer um desfecho realista para os dramas apresentados nos episódios anteriores.

“O termo ‘fêmea’ é pejorativo, não porque enraíze a mulher na Natureza, mas porque a confina no seu sexo” –  assim Simone de Beauvoir discute sobre a definição do que é ser mulher em seu clássico O Segundo Sexo (1949). Meninas, meninos, negros, judeus entre outras personas aderem como uma reação secundária aos conceitualismos fixados pelo conjunto da civilização e assim criam consciência de seus papeis na sociedade.
Até quando?

Quase cinquenta anos após o auge dos movimentos feministas ainda nos deparamos com propagandas sexistas e depoimentos machistas – isso sem descartar o preconceito com gays, negros, obesos, trans e todos os outros estereótipos marginalizados aos arquétipos construídos na história e fortificados com o decorrer dos anos.
Em meio ao caos ironicamente apático e ignorante, surge Mulheres em Série, websérie protagonizada por personagens nada fulgentes, com histórias apagadas diante dos holofotes midiáticos. É o caso de Elaine, mestre de obras negra a frente de uma equipe de funcionários que a hostilizam com comentários desrespeitosos. Na vida pessoal, ela terá que enfrentar o racismo sofrido pela filha na escola. Já Rebeca materializa a discussão acerca da agressão física e psicológica enfrentada por parceiros e caladas por uma submissão forçada.


Mulheres em Série é um projeto idealizado há cinco anos pela produtora executiva Renata Freire – que assumiu o roteiro na segunda temporada. “Não se trata de um cinema fantástico com um final feliz, mas de um debate sobre a vida real. Queremos mostrar o quanto ainda somos ignorantes. As pessoas não estão preparadas para encarar essa realidade”, afirma a produtora executiva.

A primeira temporada contou com mais de 16 mil visualizações na internet – 7 mil no YouTube, além de matérias em 20 sites especializados, sem patrocínio ou mídia paga. A obra audiovisual também participou de quatro festivais o International Online Web Fest, IndieWise Free Virtual Festival, Festival Internacional de Series Web de Medellín (FIS-MED) e Los Angeles CineFest, na qual foi semifinalista como melhor websérie.
Antes de estrear a sua segunda temporada, Mulheres em Série participa da Rio WF concorrendo aos prêmios de melhor websérie (voto popular), melhor performance para Eliana Fopha e melhor performance para Jamile Haydée.

Com data de estreia prevista para fevereiro de 2017, a segunda temporada promete trazer um desfecho para alguns protagonistas da série e estender o convite à reflexão do público através dos temas: homossexualismo, estupro, cross-dressing, deficiência física, crimes virtuais, plus size, racismo, agressão física e psicológica, entre outros.

A trama ainda provoca o público acerca da denúncia: de que forma uma mulher que sofre qualquer tipo de violência deve denunciar seu agressor? Quais as consequências e dificuldades que essa conduta pode trazer à vítima em uma sociedade tão pouco preparada para quebrar esses paradigmas e criar uma ruptura com esse modelo arcaico e preconceituoso?

Os novos episódios vão trazer ao público outras problemáticas como o feminicídio, adoção gravidez e aborto. O público poderá acompanhar as consequências emocionais vivencias pela Mônica após sofrer o estupro coletivo na primeira temporada.
Cansada de ser humilhada por um de seus funcionários, Elaine decide denunciar os racismos sofridos no seu trabalho. A denúncia, no entanto, acaba tendo uma consequência irônica. Já Rebeca decide denunciar seu namorado pelas agressões físicas e emocionais que tem sofrido. No final, essa denúncia serve como uma metáfora a uma denúncia ainda maior contra o sistema de proteção à mulher.

A série conta ainda com Fabi Estrela. Esbanjando fama em seu canal do YouTube ela se vê ameaçada por seu namorado que pretende publicar suas fotos nuas na internet. A saída que a jovem morena encontra é ela mesma fazer a divulgação dessas fotos.

A pluralidade humana vê incongruência na persistência de um molde único para cada personagem. É um momento em que se anseiam rupturas, debates e conscientização da existência de uma multiplicidade quase infinita que precisa harmonizar-se em sua sociedade para assim findar essas violências.

Curtam a página: www.facebook.com/mulheresSerie

Criarte Produção E Cultura
28/11/2016 11:40

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